Domingo, 18 de Maio de 2008

Existente

Photograph by Johny Farias

Além do caminho que eu quero ir
Além de tudo que eu quero sentir
Além da válvula que jorra vida
Além das nuvens que são lidas
Além das rosas que germinam
Além do ódio que as exterminam
Além do ventre que procria
Além da criança que nasce sadia
Além das ondas que rasgam os mares
Além dos versos dos nossos cantares
Além d’aquilo que um dia se criou
Além da porta que um dia se fechou
Além das estrelas que brilham sem ser
Além do cego que anseia por ver
Além do pão que alimenta o corpo
Além da palavra de um provérbio morto
Além das perguntas sem respostas
Além do mundo carregado nas costas
Além d’aquele que busca por justiça
Além deles que criam realidades postiças
Além dos sonhos gerados no leito
Além das aspas que entrelaçam o perfeito
Além das células que buscam seu além
Além das vozes que dizem amem.

(Johny Farias)

"...quando criança sentia um incômodo, um
desconforto, que mais tarde vim a chamar existência..."
(Jean-Paul Sartre)

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Profundo

Photograph by Johny Farias

Águas que correm por um
caminho distante,
num ser em caos.
Te procuro por todos os cantos,
na melodia fria de um canto
que agora se encontra perdido.
Flores e folhas, que nascem e morrem,
numa inauguração precoce por um sonho
nobre que se escorre.
Profundo inconciente, escritos nas linhas de
vossas mãos, numa caligrafia molhada de
paz e glórias.
É profundo o meu obscuro,
que nele volta a habitar a luz,
que me trazes em cada sorriso largado,
em cada ponto e sobreponto de sua magia.
Preto e branco, vulgo e profundo
que se torna lindo,
quando surges em meu mundo.
Mergulho fundo, em teus olhos.

(Johny Farias)

"...O amor é capaz de ler o que está
escrito na mais remota estrela ..."
(Oscar Wilde)

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Verbalóide


"Pai, afasta de mim esse cálice..."

Palavras significantes. Depois e o antes.
Poeira acumulada, sonhos em gavetas, mudo.
Algemas e medo, é tudo natural. Causa, efeito?
As escolhas, as portas estão encostadas, estreitas,
o ego acomodado, pulsando, sentindo, mas com medo.
O céu já não é o mesmo, tem algo novo ali. Eu quero ir,
preciso ir, a história ainda não foi escrita, meu vômito
acumula-se e os anjos ainda dormem. Deus ainda não foi
inventado. É tempo de se perder nas linhas intocáveis,
em sussurros trémulos, em planícies virgens, de
sandálias limpas, no limite do derivado.
Limites são viseiras colocadas em nossos tempos
são coroas de espinhos que matam sentimentos.
Em meio a esse caos, na folhagem seca
ainda resta vida. É o dom da palavra, subversiva
numa plumagem, num vôo. Portas abertas, sempre.
Não nos cale, queremos um dia ter orgulho,
não queremos mais ser apenas tijolos do vosso muro.

Existem janelas que ainda não abrimos, ainda não.

(Johny Farias)

"Quem não vê bem uma palavra
não pode ver bem uma alma"
(Fernando Pessoa)

Domingo, 30 de Março de 2008

Left Behind

"And the feeling it gets left behind...
o
Dessas férias de páscoa só ficou na memória saudades, velha Lisboa...Ficará frisado na mente momentos únicos desse maravilhoso mês de março...Como a viagem de quatro horas da Póvoa até Lisboa, a chegada ao Parque das Nações, o passeio no Oceanário, o reencontro com um velho amigo no Casino, os Jack Daniel's e risadas, andando no centro de madrugada...Depois no outro dia, andando pelas linhas de ferros, mêtro, enfim no Bairro do Chiado, Rua Garret, naquelas maravilhosas livrarias, Igrejas Barrocas, do encontro com estátuas de Fernando Pessoa e Camões. Dos artistas de ruas, do excêntrico músico cantando country music, e até Raulzito ele mandou o/, a volta pelos Teatros, pela cidade velha do século XVI, o Convento do Carmo fundado em 1389 hoje em ruínas devido ao terremoto de 1755, a vista panorâmica das Pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, pelas fontes nas praças, pelo Hard Rock Café Lisboa onde existe uma nostalgia musical muito boa, com guitarras e roupas dos Beatles, Van Halen, Kiss, Aerosmith...De lembranças uns postais, uma nota de cem escudos de 1988 com o retrato de Fernando Pessoa, e um livro sobre a Civilização Maia, onde estava a venda numa livraria ao ar livre, onde vendem sabedoria por um euro. Lá se foram as férias, mas esse gosto de liberdade que é injetado a cada km percorrido, esses roteiros malucos nos mostram que viver vale a pena, quebrar a rotina e ser feliz, mesmo que seja em um km só.

"...São as águas de março fechando o verão é a promessa de vida no teu coração..."
(Águas de Março - 1972, Tom Jobim and Elis Regina)



Casino de Lisboa


Estátua de Fernano Pessoa



Bairro do Chiado



Convento do Carmo em Ruínas




Ponte 25 de Abril




Hard Rock Café


Feira do Livro



Oceanário




Parque das Nações


Oceanário
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Photographs by Johny Farias
o
(Johny Farias)
o
...Oh the innocence broken with lies
Were different behind the eyes
Were safe tonight"
(I am mine/Pear Jam/2002)

Terça-feira, 11 de Março de 2008

A Cura


Fenômeno Aurora Boreal no Alaska 25/01/04
o
No quarto fechado, olhando pro nada, com medo do infinito. Seus sentidos já não lhe respondem, o relógio parece parado, querer já não é poder. Suas pernas a muito tempo que não percorrem trilhas como nos passados verões. Ah dias que não fala com ninguém, se sente só, sem rumo, estranho, nem o quadro de Dalí já não fala com ele, já não diz o por que das cores, das retas, do abstrato. Nas manhãs, quando a escuridão de seu quarto é tomada por raios de sol, quando a luz chega até ele, ele já não sente a harmonia súbita, o cheiro de vida, os cantos dos pássaros. Os livros já lhe disseram muito, hoje, é apenas acúmulo de poeira na estante, os segredos da vida que se escondiam em seus livros, pra ele, já não significava nada. Alice no país das Maravilhas, a menina num mundo de loucos, que por fim descobriu que também era louca por fazer parte daquilo. Pra ele, era o que via no mundo, antes era tudo lindo, hoje é tudo escuro, a loucura tomava conta dele, por vezes a loucura era bem vinda, quando ele era jovem, hoje não vê assim, e em sua cabeça, ele é como uma cortina que esconde luz, é o escuro. Teme tentar mais uma vez, e cair no chão, se sentir derrotado, preferia a morte a ter aquela sensação outra vez. Numa madrugada onde a dor e o medo já corroíam como fogo, onde a vida parecia já não ter sentido, quando a insónia trazia a memória a nostalgia, quando a vela acesa ao lado parece lhe desafiar, ele sente que precisa de ar, na janela a lua se mostra com sua melhor roupa, brilha como se o chama-se. O Suor em seu corpo é traduzido e condensado numa incerteza, sabe que se não tentar não poderá sentir o cheiro da noite, o orvalho em seu rosto, a aurora daquele momento, a manifestação pura de Nuit. Se escora na barra da cama, em meio aos lençóis cai no chão, se arrasta como um ofídio, o caminho até a janela parece ser infinito, a vela se apaga, ele olha para trás, sente medo, sente que é agora ou nunca. Chega ao pé da janela, se escora na cortina, com muita luta chega até o apoio. A Lua nunca esteve tão linda, o ar nunca esteve tão vivo, as árvores pareciam que lhe acenavam, sentia o gosto pela vida novamente pulsando em seu sangue naquela aurora. O quadro de Dalí voltou o jorrar corres, o livro de Alice já não tem poeira, as trilhas voltaram a ser feitas, a vela voltou a estar acesa, a cura transbordava de dentro de si. A loucura de tentar, passou a ser a loucura da cura.
o
(Johny Farias)
o
-Mas não quero me meter com gente louca
Alice observou.
Oh!É inevitável ,disse o gato, somos todos loucos
aqui.Eu sou louco,você é louca.
-Como sabe que eu sou louca?
perguntou Alice.
Só pode ser ,respondeu o gato,
ou não teria vindo parar aqui.
(Alice no pais das Maravilhas - Lewis Carroll/1862)
o
Quando você for dormir
Não se esqueça de lembrar
Tudo que aconteceu
Da aurora até o luar
(Arnaldo Antunes - Da Aurora Até o Luar/2006)
o
Jamais morrerei
(Salvador Dalí - 1904/1989)
o
E quão longa é a noite a noite eterna do tempo se comparado ao curto sonho da vida...
...Ela é a luz que não morre quando chego e anoiteço o sol dos dois horizontes a mais perfeita harmonia.
(Raul Seixas/1989)

Terça-feira, 4 de Março de 2008

The Magick

Os Girassóis-Van Gogh (1888/1889)
Dedicado por mim ao Dia Internacional da Mulher
08/03/08, e aos restantes 364 dias também.
o
Pupilas azuis que brilham, universo mágico que se mostra por um novo sentido imaginário. Rituais que mudam a vida por si mesma, que descobre na cartola, uma razão que eleve nossas almas numa cartilha de emoções. Num amanhacer dourado que se veste de cores e mostra um caminho proeminente. Em manifestações instantâneas por onde nos coloca com o poder em mãos, pelo amor contínuo. Em meio a tantos anos-luz a multação se apresenta, nas mãos divinas, em olhares que trancendem, em lados oposto, num equilíbrio diário, em flores que saltam, em pétalas que voam e dasafiam a lei de Newton. Em alfas de sonhos, no centro do Centauri, quando a luz se descobre e chega até um ponto cósmico, os destinos são traçados e rasgados, pelo amor contínuo. Surge em dogmas difentes, onde é possível as possibilidades de si mudar o absoluto, o extraordinário, que na verdade não existe mas é reinventado em cada pôr do sol, em cada célula que se move. É a purificação, a lúxuria, é o cruzamento entre seres ocultos que num piscar de olhos a vida é exposta, no amor contínuo. Pegai a vossa receita de amor, espalhai aos quatro ventos, sobre a linha do equador ele se define, se corta, em cima a vida nasce, em baixo a pétala voa, pelo amor contínuo.
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(Johny Farias)
o
Agora repasso os selos que ganhei da menina Jlou



E também esses que ganhei da linda Karla Hack
http://nascidaemversos.blogspot.com/







Repasso eles para o meu amigo Diom
http://sagradoxprofano.blogspot.com/
Ao maravilhoso blog da menina Ana,
que tem um dom maravilhoso de narrar
http://caisdesonhos.blogspot.com/
E a Rafaella Rodrigues do ótimo blog:
http://cartaspra-seu-ninguem.blogspot.com/

Parabéns a todos
o
"Me dê a mão vamos sair, pra ver o sol"

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

O Velho e o Menino

Allegory of age - Abraham Bloemaert (1566–1651)
o
Era sempre a mesma coisa, sempre na mesma hora.Um sujeito velho, calvo, com um casaco preto, óculos, ar de elegante, vivido e sábio. Sempre se sentava no balcão do Restaurante em meio a confusão que era aquele estabelecimento sempre cheio, com muitos clientes. Mas aquele velho senhor parecia não ser desse mundo, ou não estar nele. Saudava a todos, sempre de cabeça baixa, simples e bem discreto.Bebia sempre vinho tinto, por vezes fumava, mas nem sempre. Sempre acompanhado de um livro, nunca o vi com jornal, revistas ou coisas do gênero, não, era sempre um livro. No meio daquela confusão, quase ninguém notava a sua presença, e o sentimento era recíproco pois ele por vezes parecia que estava nas nuvens e absolutamente nada poderia trazê-lo para baixo, os céus era seu habitat. Algumas vezes notava que aquele velho senhor, deixava o livro de lado e colocava a mão direita no rosto e fixava seu olhar em algo, na verdade olhando pro nada. Ele já com seus setenta anos, lembrava de sua vida, de sua juventude, de sua profissão, de suas viagens pelo mundo afora.Todos seus amigos já aviam se casado, outros já tinha ido pro infinito no qual isso lhe trazia muita tristeza, pois se questionava o porquê de não ter sido ele.Já não mantinha contacto com ninguém, pois vários de seus amigos já tinham famílias, netos, e ele nunca tinha constituído isso, se sentia diferente, e era. Quando se deitava, vinha na sua memória como raios poderosos flashs de seus momentos mais felizes. Quando jovem era fotógrafo, viajava o mundo por sua profissão, trabalhava em uma revista sobre ciências. Onde havia pesquisas,e matérias que poderiam dar "audiência" a revista, ele lá estava.Lembrava de viagens ao Cairo, das pirâmides, dos arguiles que de lá trouxera. Das turbulentas viagens a Ásia, Coréia, Japão, China onde sempre tinha dificuldades com a adaptação. Dos amigos que deixou em Buenos Aires onde lá por meses ficou devido a algumas matérias sobre a Argentina do século XX, os Andes, enfim, ele simplesmente adorava a capital Argentina. Na Europa já havia estado em vários países principalmente em ilhas, como Maiorca, ilhas perdo de Mónaco, Grécia. Chegou a ter um romance rápido em Atenas, mais devido a sua vida "lá e cá" não virou, como sempre acontecia. Naquela época não ligava a certas coisas pois vivia o momento, e pra ele bastava. Não tinha planos sobre o futuro como a maioria de seus amigos, nem se prendia a relacionamentos, simplesmente amava a vida do jeito que ela vinha, a sua maneira. Notava-se que aquele senhor, usava uma bengala, pois era manco de uma de suas pernas, devido a um acidente a alguns anos atrás, e uma de suas mãos estava deformada, na primeira vez que vi não notei, mas como tempo fui vendo a dificuldade dele de manejar um copo, de acender seu cigarro ou até mesmo de se apoiar, e tinha feias cicatrizes em sua face. Tudo se passou numa de suas viagens ao Oriente Médio, exatamente em Israel quando fora mandado lá em questão de uma matéria sobre o Muro das Lamentações. Naquela época havia festas cristãs, onde muitos se juntavam para orar e deixar suas preces em escritos no famoso muro, Templo de Herodes. Naquela tarde, ele e sua equipe passavam por uma área não segura de Jerusalém quando foram atingidos por estilhaços de uma explosão a poucos metros. No fundo foi um atentado de extremistas árabes, fragmentos ainda da Guerra Dos Seis dias, iniciada em 1967. Na época as Nações Unidas garantiu segurança mas os conflitos já tomava conta daquele pedaço de terra. Quando nosso fotógrafo se deu conta, já estava num hospital em um distrito perto de Jerusalém, pois a capital por aqueles dias estava um caos. Já havia se passado dias, do coma por fim ele acordou. Naquele exato momento ele pela primeira vez sentiu realmente como era a solidão, não havia nenhum amigo, nenhum parente, nada. E a notícia que tanto temia fora dado por um médico desconhecido. Devido as queimaduras e fraturas nas mãos, não poderia mais continuar a tiras fotos, o seu sonho de muleque chegou ao fim. Em meio a terapias e a recuperações já em sua terra natal, por mais que tentasse sabia que a recuperação a cem por cento nunca teria, ao fim de alguns meses largou das lentes, lágrimas. Assim então até aquele ponto vivia a vida assim, monótona, sem anseio, apenas vivendo, existindo. Naquelas noites no balcão, sempre que chegava a casa perguntava si mesmo se valeria a pena continuar a viver. O suicídio nunca havia lhe passado pela cabeça, e também nunca aceitara certa idéia, mas naqueles dias por muitas vezes esse sentimento obscuro tomava conta, mas nunca o fez. Naquela noite, já ia pela terceira garrafa de vinho, até que quase uma da manhã altura em que se encerrava o estabelecimento ele se levantou, desejou boa noite e se perdeu em meio a escuridão. Seu apartamento ficava a alguns quarteirões dali, andando sem rumo, caiu duas vezes ao chão devido ao seu estado alcoólico. Chegando a beira de uma ruela escura e fria, no meio do lixo ali depositado ouvi uma voz,de um menino de rua:
-Boa noite Sr Joseph.
What? Quem é você? Como sabe meu nome?
-Eu sei tudo por aqui, conheço todos nasci e
cresci nas ruas, sabe como é...
Ah tá, lembro de você agora, já o vi por ai.Você não tem família rapaz, volte para sua casa já é tarde.
-Não, sou sozinho no mundo, igual ao senhor neste momento
Jesus Cristo! Exagerei no vinho...
O velho se sentou ali em meio a jornais e lixo, começaram a conversar. Ambos contaram suas histórias, e por mais impossível que seja, a do menino Luís era pior. E ao contrário de muitos, o menino não teve medo das horríveis cicatrizes, antes pelo contrário achava que nelas havia muitas histórias. O senhor sábio, já viajado e bem vivido se sentiu bastante confortado ali com o menino, já sentara em poltronas de aviões de luxos, já esteve nos melhores hotéis das capitais, mas ali enfim se encontrou. O menino dividiu seu único pedaço de pão, que consegui o dia todo a pedir esmolas e a roubar de algumas padarias. Joseph aceitou, lhe veio na cabeça a Santa Ceia, que até alguns anos atrás passava em casa de amigos, mas até então passava sempre só. Aquele pobre menino de rua, sujo por fora, mas limpo por dentro achou o fotógrafo o homem mais sábio que até então havia conhecido. Joseph contou de suas viagens, de seus momentos felizes mas parou quando chegou na trágica viajem a Israel. Só mostrou ao pobre garoto suas mãos e o motivo de suas desgraças. Por minutos o silêncio reinou entre eles. Naquele momento juntaram-se as mãos, lágrimas de ambos se misturavam com o sereno daquela noite fria. O menino disse ao velho que ao longo de sua vida recebeu poucas flores e muitas pedras, mas as pedras o tornava cada vez mais forte e no meio de tantas pedras, um dia brotaria um flor. Pela primeira vez em sua vida o velho sábio sentiu que tudo que vivera até aquela noite passava a ter um novo significado em sua vida, foi como um chamado vindo dos céus, igual aquele de Cristo quando chamou por Lazáro, era hora de se levantar de novo, pois em meio a tantos momentos felizes e tristes, o menino lhe ensinou que a única coisa que importa em nossas vidas são as vitórias e as derrotas são troféus que no futuro teremos em nossas mãos, o menino aprendera nas ruas o que Joseph não captou em suas viagens. Por fim Joseph pensou no futuro, e decidiu dar uma nova chance a si mesmo, passaram a noite ali, o velho leu o livro ao menino, contou-lhe uma história sobre um menino que derrubou um gigante, com apenas uma pedra derrubou um ser montado em armaduras.
Sabe como David conseguiu tal feito Luís?
-Sei, buscou forças através dos Deuses lá de cima, e será através desses Deuses que nós derrubaremos todos obstáculos que se oporem em nossa frente.
Amém, disse o velho.
Luís naquelas noites frias, sempre costumava queimar revistas, jornais e livros velhos para se aquecer. O único papel que restava era o livro de Joseph, Luís que não sabia ler nunca recebeu tão bem o frio como naquela noite, e ao som da sábia voz de Joseph, pegou no sono ouvindo belas histórias de Reinos Antigos. Naquela noite mesmo não sendo natal, ambos tiveram a ceia mais excêntrica de suas vidas, o pão nunca foi tão saboroso, tinha sabor de vida. Naquela manhã quando chegou a casa, depois de anos e anos sem pegar na sua antiga e companheira câmera, foi até o seu baú e de lá tirou-a, ali estava sua pentax, pôs a câmera em seu pescoço como nos velhos tempos, pegou em seu livro e na companhia de Luís, juntos lá se foram os dois velhos jovens, descobrir novos Reinos Encantados e destruir velhos e obscuros gigantes. A vida brotava outra vez, em pedras, livros, pão e lentes.

(Johny Farias)

Homenagem minha a um sábio amigo, longe porém perto

"Davi, porém, disse ao filisteu:
Tu vens a mim com espada, com lança,
e com escudo, porém eu venho a ti em nome
do Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel."
(I Samuel 17/41)

"E quando comiam, Jesus tomou o pão
e, abençoando-o, o partiu, e o deu aos
discípulos, e disse, Tomai, comei,
isto é o meu corpo."
(Mateus 26/26)

"E, tendo dito isto, clamou com grande
voz: Lázaro, sai para fora.
E o defunto saiu..."
(João 11/43-44)


Recebo com grande alegria
mais três selos, obrigado.
Este recebi da Verônica:
E esses dois do amigo Abel:








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Repasso todos para:
Juliana Caribé
http://julianaocaribe.blogspot.com/

Blog da Mary
http://www.outroblogdamary.com/
Blog De tudo e tal
http://detudoetal.blogspot.com/
e a menina do Blog Patty's Page
http://patty-page.blogspot.com/
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Caso já tenham os selos, fica como
uma forma de agradecer os belos textos
que nos tem proporcionado.
Parabéns a todos.
"...e o gigante foi ao chão..."